O deputado estadual Thiago Auricchio (PL) permanece na Assembleia Legislativa, mas o mapa da urna conta outra história: a da desidratação. Em quatro anos, o filho do ex-prefeito José Auricchio Júnior perdeu mais da metade dos votos, despencou 81 posições no ranking estadual e viu a própria base de São Caetano do Sul recuar com força.
Em 2022, Thiago foi eleito com 123.483 votos, na 33ª colocação. Em 2026, somou 59.942 votos e caiu para o 114º lugar. Foram 63.541 votos a menos — uma queda de 51,5%. A fatia no eleitorado paulista caiu pela metade.
Um detalhe institucional reforça o recuo. Há quatro anos, o nome do parlamentar fechava cadeira sozinho, pelo quociente. Neste domingo, entrou na Alesp carregado pela média do PL, partido que elegeu a recordista Eduarda Campopiano, com 1,95 milhão de votos. O mandato sobreviveu. O capital eleitoral pessoal, não.
O reduto que o projetou como “deputado mais votado da história da cidade” não segurou o desgaste. Em 2022, Thiago teve 32.092 votos em São Caetano do Sul — 29,49% dos válidos, com folga na liderança municipal. Em 2026, ainda ficou em primeiro no município, mas com 18.225 votos (16,13%). Perdeu 13.867 votos na própria casa: recuo de 43,2% e de 13,3 pontos percentuais.
A cidade que respondia por cerca de um quarto da votação estadual do deputado agora entrega um parlamentar menor.
A queda coincide com o isolamento do clã Auricchio em São Caetano. Sem o Paço, sem a máquina municipal e com o prefeito Tite Campanella (Republicanos) afastado do palanque do filho - depois das críticas públicas do pai -, Thiago disputou 2026 sem o ativo que em 2022 lhe deu 32 mil votos na cidade. Na Câmara, restaram os vereadores Olyntho Voltarelli (PSD) e Getúlio Filho (União Brasil) como alinhamento formal visível. Getulinho, inclusive, sempre foi crítico de Auricchio.





